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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Energias Alternativas - Energia das Marés - III Parte

O Sistema de Compensação e Inversão é uma espécie de embraiagem que tem por finalidade anular os movimentos invertidos do Sistema de Accionamento, resultante da alternância das marés, e compensar os movimentos de subida e descida de pequena amplitude da plataforma, que acontecem porque ao longo de um mês lunar, as forças atractivas combinadas do Sol e da Lua sobre as águas dos oceanos, variam periodicamente de intensidade conforme as fases da Lua. As correcções efectuadas pelo Sistema de Inversão e Compensação são feitas durante os tempos mortos da preiamar e baixamar de acordo com as tabelas das Marés que anualmente e com longa antecipação são publicadas pela Administração do Porto de Lisboa, com o objectivo indispensável de fazer rodar os indutores dos geradores sempre para o mesmo lado e com velocidades rotativas mais ou menos constantes. Como a plataforma é obrigada a quatro paragens diárias, duas em preiamar e outras duas em baixamar, logicamente a produção de electricidade cessa, mas para contornar esse grade inconveniente, então a solução terá que ser encontrada numa obra de engenharia mais vasta, isto é, com a construção de duas Centrais Maremotrizes gémeas, perto uma da outra. Uma vez que ambas se encontram encaixadas em docas estanques, a entrada e saída das águas é perfeitamente controlada e de uma maneira desfasada entre elas, para que quando uma for obrigada a parar, a outra ainda se encontrar em movimento. Assim, praticamente pode manter-se a produção de electricidade sem interrupções, sem receios de anos de seca e sem quaisquer inconvenientes para a Natureza e o Homem.
Naturalmente que um trabalho destes necessitava de ser patenteado e, efectivamente, no dia 27 de Maio de 1988 deu entrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial um pedido de patente de invenção que foi registado com o nº 87591. O pedido, de acordo com o Regulamento do Instituto, foi acompanhado de um “Resumo” ”, de uma “Memória Descritiva”, das “Reivindicações” e dos “Desenhos”, tudo em perfeita sintonia e inteligibilidade, de forma a não suscitar dúvidas ao engenheiro examinador.
Mas enquanto que com o registo do endoscópio de fibras ópticas, a aceitação levou menos de um ano a ocorrer, com o Registo da Central Maremotriz, foram precisos vários anos de luta com grandes dificuldades que terminaram com o vergonhoso boicote perpetrado pelo engenheiro examinador, de conluio com o Director das Patentes de então. Foram onze anos incríveis de luta inglória com uma pesada, bloqueante e desonesta burocracia, de que resultaram demoras propositadas, desculpas tolas, exigências descabidas, informações irregulares, falsas e ardilosas, com o objectivo de desgastar, desmoralizar e finalmente iludir o autor, por forma a não lhe deixar qualquer hipótese de recurso aos tribunais e assim destruir o desejo de ver oficialmente reconhecido o valor do seu empenhado trabalho.
O inventor possui e põe à disposição de quem de direito, e que esteja interessado, um dossier constituído por brochuras com capa de cartolina, do seu trabalho integral, de cópias das duas patentes de invenção estrangeiras, mais antigas, aceites pelo Instituto, que, por carta escrita e assinada pelo engenheiro examinador, este estupidamente considera iguais (?) e indica como razão para a rejeição do invento português e, finalmente, uma colecção de cópias de toda a correspondência trocada com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial no período de 27 de Maio de 1988 a 24 de Abril de 1999.
Sem dúvida que a carta que o engenheiro examinador escreveu, indicando três inventos estrangeiros iguais e mais antigos com o objectivo de eliminar o português, constituiu um erro grave e velhaco, porque se fossem de facto iguais, ou pelo menos baseados em princípios idênticos, o Instituto, por duas vezes, teria cometido infracções graves ao Regulamento, o que é inadmissível. Por isso o engenheiro depois de confrontado com o disparate da sua carta, visivelmente atrapalhado e sem desarmar na sua táctica de boicote, disse que só a primeira patente, a mais antiga, a norte americana nº 3 746 875 é que continha matéria que levava à rejeição do pedido de registo de patente português. Quanto à terceira aceite pelo Instituto, até teve o descaramento de dizer que não tinha nada a ver com o assunto.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Energias Alternativas - Energia das Marés - I Parte

1980 foi um ano de grande seca em Portugal, que provocou um armazenamento muito fraco de águas fluviais nas albufeiras das nossas Centrais Hidroeléctricas. Não obstante possuirmos nessa altura, cerca de meia centena dessas Centrais e cerca de meia dúzia de Centrais Termoeléctricas, que em anos normais de pluviosidade não produzem mais que 30 ou 40% da energia necessária, nesse ano, foram muitos mais os milhões gastos com a importação de electricidade estrangeira. Os jornais e demais órgãos de comunicação noticiaram largamento o acontecimento, que acabaria por sensibilizar intrigar o inventor do endoscópio de fibras ópticas e não só, obrigando-o a pôr a si próprio as seguintes perguntas: será que estão esgotadas todas as possibilidades de produzir electricidade? Não haverá nesse universo um buraco por onde possa meter o nariz? Embora partindo praticamente da estaca zero em matéria de energia, ganhou forças para enfrentar o gigante desafio e sempre que lhe surgiam momentos oportunos dava largas à sua imaginação ainda dispersa, mas fortemente determinante, pois tinha a intuição que o “buraco”, mais tarde ou mais cedo, haveria de aparecer. E logo, por sorte, com o País ainda a viver a forte celeuma da seca, ouviu dois distintos engenheiros electrotécnicos, em programas separados de Televisão, em que explicavam o funcionamento da Central Geotérmica dos Açores e outro, o funcionamento da Central Hidroeléctrica do Castelo de Bode. A avidez com que os escutou e o forte desejo de entender esses funcionamentos, de imediato, após a audição do segundo engenheiro, verificou, sem margem para dúvidas, de que ambos haviam cometido o mesmo erro de palmatória. Claro que não se tratava de erro motivado por ignorância, era o que faltava, mas sim de uma falha de expressão, motivada talvez por um hábito pernicioso de aligeirar uma explicação. Ambos já eram vítimas desses hábitos e, por isso, quando nas suas dissertações chegavam ao ponto em que entrava em acção a turbina, ambos ficaram por ali, afirmando que ela produzia então a tão desejada electricidade. Ora o que acontece não é bem isso, pois que no caso da Central Geotérmica, como no da Central Hidroeléctrica, as respectivas turbinas são postas em movimento rotativo, na primeira pelo impacto da força colossal de um potente jacto de vapor de água a alta pressão e na segunda pelo impacto de força idêntica de uma colossal coluna de água de alta pressão porque captada no fundo da barragem e conduzida até à turbina por estrutura própria da barragem. Portanto, uma turbina é um engenho mecânico cuja função é captar o impacto de uma força que a faça entrar em poderoso movimento rotativo e como o seu eixo está solidário com o eixo do indutor de um gerador, este e só este é que produz a electricidade. Portanto a falha dos engenheiros foi o esquecimento dos geradores, atribuindo às turbinas uma função para a qual não são construídas. Essa falha foi o suficiente para convencer Alves Martins de que talvez já existisse generalizada, a convicção de que a existência de uma turbina era imprescindível para o aproveitamento de uma força da Natureza. Tornava-se, portanto, necessário acabar com o casamento da D. Turbina com o Sr. Gerador e arranjar maneira de pôr esta a trabalhar sem a ajuda da sua tradicional muleta, utilizando, se possível, a força de uma energia natural, renovável, gratuita e sobretudo não poluente. Tudo parecia indicar que este seria o caminho a seguir para encontrar o tal “buraco”, mas que, certamente haveria de ser bastante longo e penoso. Por isso teria que documentar-se, primeiro o mais e melhor que pudesse sobra as nossas Centrais Hidroeléctricas e Térmicas, funcionamento e potência de geradores, etc. , que foi meticulosamente conseguindo sem desfalecimentos e sempre com forte determinação, até que um dia, em sua casa, lhe despertou mais do que nunca , até então, o bater das horas de um relógio de cuco que ainda hoje possui e que se encontra pendurado numa parede de uma sala de estar. Como é sabido esse tipo de relógio não possui a tradicional corda de fita de aço, ou, mais modernamente, uma pilha eléctrica para accionar o seu mecanismo, pois este funciona sob acção de energia potencial de dois corpos pesados de ferro fundido em forma de pinha, que se encontram suspensos por delicadas correntes metálicas engrenadas no mecanismo de carretos do relógio. É, pois, o peso das pinhas, que, na sua lenta descida e só na descida, por intermédio das correntes, faz funcionar o mecanismo do relógio. Quando termina a sua descida, limitada pela dimensão das correntes, o relógio pára e só volta a funcionar quando a força de uma mão colocar as pinhas nos seus pontos de partida. Foi, portanto, um simples relógio de cuco, a fonte de inspiração para a aplicação da energia potencial de um corpo super pesado, porventura de centenas de milhar de toneladas de peso, para fazer funcionar uma série de geradores. Estava encontrada metade da solução, a energia de um corpo super pesado em descida lenta sob a acção da gravidade. Mas para o problema ficar totalmente resolvido, apenas com a intervenção de forças naturais, gratuitas, renováveis e não poluentes, faltava outra força, igualmente poderosa capaz de fazer a inversão do movimento do corpo, obrigando-o também a uma lenta subida até ao ponto de partida. E a solução final era inevitável. A acção conjugada de duas energias da Natureza, a energia potencial de um corpo flutuante de grande calado e tonelagem e a energia das marés actuando sobre ele, forçando-o a uma movimentação vertical de sobe e desce de grande potência como se fora um gigantesco piston. (Continua)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ENERGIA EÓLICA I

Não há dúvida de que a utilização das energias obtidas a partir de os hidrocarbonetos, sempre representou um perigo muito grande para a Natureza e o Homem, devido aos milhões de toneladas de factores poluentes que permanentemente são atirados, em todo o mundo, para a atmosfera, para os campos e para os oceanos, envenenando e desequilibrando perigosamente a nossa Terra Mãe. Mais tarde ou mais cedo, a necessidade suprema de se começar e a inverter o curso das coisas, tinha que chegar e a corrida à utilização de energias alternativas, naturais, renováveis, gratuitas e não poluentes, como única solução capaz , aí está desenvolvendo-se em força em vários países. Como o nosso país não possui um território fortemente acidentado e de grande pluviosidade, de forma a poderem-se construir barragens gigantescas como as de Assuão, no Egipto ou de Cabora Bassa em Moçambique, por exemplo, com uma produção enorme e constante de electricidade, não teve outro caminho senão o de aproveitar a exploração das energias naturais que possui em quantidades razoáveis, como os ventos que sopram em todo o litoral e o Sol que aquece e ilumina sobretudo o interior, como a Beira Baixa, o Alto e Baixo Alentejo. É de louvar, a todos os títulos, a existência nesta província e em pleno funcionamento, da maior Central Solar do Mundo. Só é pena que as fabulosas células foto voltaicas que constituem os painéis solares não sejam fabricadas ao preço dos pregos. Quanto à energia eólica, a maneira como está a ser aproveitada, com utilização de material importado da Dinamarca e até já cá construído sob licença certamente, tem causado grande estupefacção ao inventor do endoscópio de fibras ópticas. Quando começaram a ser montados os primeiros aerogeradores e apareceram artigos e fotografias em jornais e revistas, descrevendo e mostrando as altíssimas estruturas que suportam enormes turbinas e os geradores, confessa que se sentiu bem impressionado, sobretudo pela elegância e aerodinamismo das turbinas, lembrando as hélices dos aviões. Mas também pensou que aquilo não passaria de um luxo, de construções que embora vistosas, mas isoladas e bastante caras. O pior foi, quando por força de fortes interesses, certamente criados à volta dessas construções, o fenómeno começou a alastrar de tal modo, que hoje, uma sementeira, de mais de 2 000 aerogeradores, já está distribuída pelo país., formando grupos de várias unidades a que chamam parques eólicos. E o que tolerava no principio, por considerar quase uma brincadeira, passou depois, a repudiar quase com escárnio, por lhe parecer que é inadmissível que gente responsável continue a manter em tão larga escala, uma tão grande falta de visão no aproveitamento da força dos ventos, por utilizar aquele tipo de estruturas fatalmente de fraco rendimento. Ao considerar que um parque eólico constituído por 64 aerogeradores, tomado como padrão, só produz anualmente, 147MW, que é a energia equivalente ao consumo de 120 000 habitantes, como é o caso do parque instalado nas serras da zona do Pinhal, algures na Beira Baixa e que custou mais de 150 milhões de euros, quantos aerogeradores não vão ser necessários construir em Portugal para colmatar a brecha dos 60% ou 70% de energia estrangeira normalmente importada? Sim, porque os pouco mais de 150 geradores distribuídos pelas nossas Centrais Hidroeléctricas, bem como os cerca de 30 geradores distribuídos pelas Centrais Termoeléctricas não produzem, em anos de normal pluviosidade, mais que 30% ou 40% da electricidade necessária ao consumo do País. Reagindo a esta situação o nosso inventor avançou já com um pequeno mas bem elucidativo trabalho sobre o que pensa que deve ser uma CENTRAL ANEMOTRIZ, nas suas linhas gerais, denominado “PARQUES EÓLICOS ou CENTRAIS ANEMOTRIZES? QUAL A MELHOR SOLUÇÂO? Ilustrado com desenhos e apoiado por conhecimentos por demais conhecidos, a fim de fazer frente aos tão gabados PARQUES EÓLICOS que agora tão ridículos lhe parecem. É sua forte convicção de que não é necessário ser-se engenheiro electrotécnico para notar o disparate que constitui o formato e a dimensão das turbinas utilizadas nos aerogeradores. Não serve de nada aos responsáveis a argumentação de que o casamento da D. Turbina e do Sr. Gerador está bem feito e equilibrado. Que a turbina, na sua rotação, tem a energia perdida por atrito, reduzida ao mínimo. Que, portanto, a força que capta dos ventos é transmitida quase a 100% ao gerador. Que, ao fim e ao cabo, o conjunto funciona muito bem e produz electricidade. A argumentação até está certa, mas o grande problema reside na capacidade da turbina para captar o máximo da força dos ventos, capacidade, que na sua opinião, é muito fraca. E porquê? Simplesmente porque a força dos ventos captada por impacto nas pás da turbina, é directamente proporcional à área total dessas pás. Embora a turbina seja vistosa, elegante e aerodinâmica, a verdade é que só possui três raquíticas pazinhas que, em relação à área do círculo descrito por elas no movimento rotativo, ocupam apenas 5% da área desse círculo. Que quer isto dizer? Quer dizer que, muito simplesmente, 95% da massa dos ventos não é aproveitada porque se perde.
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